Argumento

LAURA | ESMERALDA | TELMA | ANA | MARTILEIDE

 

TELMA
|Rio de Janeiro|

FICÇÃO


CENA 1. RIO DE JANEIRO. EXT/ DIA
(Música do samba-enredo ao fundo)

Vista aérea da cidade de um helicóptero. Várias tomadas das praias, pontos turísticos, até se concentrar em tomadas de morros e favelas. A Câmera se aproxima do Morro do Colosso, cenário de nossa história, e depois de mostrar imagens gerais do ambiente, prioriza um barraco que se destaca por ser mais bem cuidado do que os outros.


CENA 2. BARRACO DE TELMA. INT/ DIA

Câmera passeia pelo chão da minúscula sala do barraco, onde há pequenos retalhos e adereços de fantasia de carnaval espalhados pelo ambiente. Em CLOSEUP mãos masculinas e grossas, marcadas pelo trabalho, com o auxílio de uma calçadeira, ajudam Telma a calçar os sapatos de porta-bandeira. Ela ergue as pernas exibindo os sapatos


Telma se levanta e a vemos, da cintura pra baixo, andando de um lado pra outro.


A CÂMERA ABRE O ÂNGULO E REVELA:EUNICE, uma mulher quarentona, cega, sentada numa poltrona surrada ouve atenta a descrição da filha TELMA, uma jovem bonita de 21 anos .

Quem assiste aos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro não imagina que por trás desse evento, que se transformou num espetáculo de apelo turístico internacional movimentando milhões de dólares, existem pequenos e grandes dramas. Para o carnaval carioca chegar ao que é hoje, sem perder o perfil de uma autêntica manifestação cultural de raízes brasileiras, os costumes e tradições foram passando de geração para geração nas comunidades das escolas de samba, geralmente localizadas na periferia, morros e cidades próximas ao Rio de Janeiro.

É num desses cenários que se passa a história de TELMA, baseada num fato real ocorrido no ano de 1996. Seguindo a tradição de sua família, Telma, aos 21 anos, desfilará pela Colosso do Rio como porta-bandeira, função que herdou da mãe Eunice que foi uma das melhores porta-bandeiras de todos os tempos. Telma também quer fazer bonito na passarela e ganhar o estandarte de ouro para homenagear a mãe.Com as noites perdidas nos ensaios e na costura da fantasia, ela acaba perdendo o emprego numa farmácia onde seu chefe sempre a flagrava dormindo no almoxarifado. Preocupada, MARLI, sua vizinha, tenta lhe arrumar um outro emprego.


É chegado o grande dia. A Colosso está na passarela do samba. A arquibancada levanta, aplaudindo e cantando o samba em êxtase. Telma e o mestre-sala, Bira, evoluem com categoria e elegância e são ovacionados pela platéia. Telma recua para agradecer os aplausos e acaba tropeçando num cabo de equipamento de TV que atravessa a pista. A bandeira da escola cai por cima dela. No chão, humilhada e perplexa, Telma chora descontrolada. Mas se levanta sozinha de cabeça erguida. O público aplaude solidário. Telma continua o desfile com o rosto inundado de lágrimas. Ela olha pra cima, em direção à cabine dos jurados, e nota que uma mulher faz anotações. Ao final do desfile, o comentário da queda de Telma logo se espalha. Exaustos e sentindo-se derrotados, os integrantes da Colosso tiram os adereços, bebem e comem. Telma some e horas depois é encontrada por Marli em seu barraco.


Inconformada com o tombo, Telma entra numa depressão que culmina com uma tentativa de suicídio no dia da apuração dos votos. Depois de tomar formicida, é descoberta pela mãe caída no chão. É levada às pressas para o hospital e depois de uma lavagem estomacal consegue sobreviver. Marli chega com o resultado da apuração no hospital: A Colosso foi a grande campeã e nos três envelopes sorteados dos jurados, o quesito "mestre-sala e porta-bandeira" recebeu nota dez. O envelope da jurada que presenciou a queda não foi sorteado. Aliviada e feliz, Telma se recupera e dá um show no desfile das campeãs.

 

DOCUMENTÁRIO

Integrantes mais antigos das escolas de samba falam como é transmitir a experiência para as novas gerações. E os jovens contam sobre a responsabilidade de manter as tradições herdadas.