Argumento

LAURA | ESMERALDA | TELMA | ANA | MARTILEIDE

 

LAURA
|São Paulo|

FICÇÃO


CENA 1 - SÃO PAULO. EXT. DIA/AMANHECENDO

Vista aérea da avenida paulista. O Ângulo vai fechando em panorâmicas de um bairro de classe média alta. O dia está amanhecendo e o bairro retomando seu movimento habitual de um dia de trabalho: executivos falando ao celular enquanto fazem sinal para táxi; transeuntes param para ler as manchetes dos jornais nas bancas de revistas. Nos bares, sobre o balcão, trabalhadores tomam café.


CENA 2 - QUARTO DE LAURA. INT. DIA/AMANHECENDO

CLOSEUP - as mãos de Laura dão os ajustes finais numa meia fina que acabou de calçar. Ela está sentada numa banqueta de penteadeira. calça um sapato elegante e confortável, próprio para quem tem muito o que andar, e junta as pernas, conferindo se está tudo em ordem. O ÂNGULO ABRE E REVELA LAURA, sentada numa banqueta em frente a penteadeira. Ela vira o corpo em direção ao espelho que reflete seu rosto de uma mulher de 40 e poucos anos, bonita e elegante. Ela pega um batom e passa sobre os lábios. Guarda a maquiagem numa bolsa. É tomada por um leve desânimo, mas respira e se ergue disposta olhando o relógio com impaciência.


CENA 3. APARTAMENTO DE LAURA. CORREDOR. INT. DIA

Laura abre a porta de um quarto e vê Antônio, um garoto de uns seis anos, dormindo na cama. Olha carinhosa e fecha a porta.

Laura não escolheu São Paulo para viver. Carioca, mudou-se para a capital paulista quando o pai foi transferido pela multinacional onde trabalhava. De uma família de classe média alta, Laura sempre teve uma vida confortável e pode se dedicar sem culpas ao estudo de letras, considerado por muitos um curso que não oferecia muitas perspectivas no mercado de trabalho. Depois da formatura, Laura começou a fazer traduções para grandes empresas e editoras, sempre acalentando o sonho de um dia escrever seu próprio livro e tornar-se uma romancista.

A narrativa se inicia com ela divorciada, tendo de cuidar do filho e ao mesmo tempo, aos 45 anos, enfrentar um mercado de trabalho altamente competitivo, e lutar por um emprego fixo que ajude a pagar as suas contas.

Preocupação com sobrevivência não fazia parte do universo de Laura. Bernardo, seu ex-marido, um publicitário bem-sucedido, lhe permitia levar uma vida confortável e dedicada apenas ao filho, a alguns pequenos trabalhos de tradução e à realização de seu grande sonho: terminar de escrever seu primeiro romance. Mas quando seu casamento chega ao fim, depois que ela confessa ao marido ter vivido um affair com um colega numa festa de ex-alunos da faculdade, tudo muda em sua vida. Laura ama o marido, mas todas suas tentativas de uma reconciliação são frustradas:


Bernardo não perdoa a traição e a única coisa que permite com a separação é que ela continue morando no apartamento com o filho. Nem mesmo com os pais ela pode mais contar: seu pai perdera todo o patrimônio da família numa ciranda financeira e para se manter só lhe restou a aposentadoria.

Ao procurar amigos da família e seus próprios amigos a única coisa que recebe em troca é uma cantada de um amigo de seu pai e um sermão de uma ex-colega de faculdade, agora editora de uma revista feminina:


Desiludida, Laura tende a cair em profunda depressão, mas incentivada pelo amigo Greg e, num processo de catarse, resolve apostar todas as fichas que lhe restam no término de seu livro. Talvez com o romance pronto possa encontrar um novo rumo para sua vida.

 

DOCUMENTÁRIO

Seguindo o conceito de ficção/documentário de todo o filme, em "Laura", durante o desenrolar da ficção, a narrativa terá interferências documentais com depoimentos de mulheres de grandes metrópoles, de classes sociais diferentes, falando como enfrentaram a separação, e o competitivo mercado trabalho depois dos 40.