Argumento

LAURA | ESMERALDA | TELMA | ANA | MARTILEIDE

 

ESMERALDA
|Bom Jesus da Lapa e Salvador, BA|

FICÇÃO


CENA 1. BOM JESUS DA LAPA (BAHIA). EXT. ENTARDECER

Vista aérea da cidade com suas grutas e pedras e a ponte sobre o Rio São Francisco. Um clarão de luz se destaca, próximo à Igreja principal da cidade. São centenas de romeiros trazendo uma vela acesa à mão numa noite de vigília de 6 de agosto, dia consagrado a Bom Jesus da Lapa, padroeiro da cidade.


CENA 2. CASA DE BOM JESUS DA LAPA (BAHIA). INT. NOITE

Cozinha. Dois pés sobre uma bacia de alumínio. Uma mão envelhecida despeja uma chaleira cheia de água quente sobre dois pés femininos na bacia. A dona dos pés enrosca um pé no outro, massageando-os. O ÂNGULO ABRE E REVELA sentada numa cadeira ESMERALDA, a dona dos pés, uma mulher de uns 40 anos, bonita, mas que traz o rosto limpo de qualquer maquiagem ou traço de vaidade. Está vestida de forma vetusta. Ao seu lado está DALVINA, sua babá, uma velha senhora de traços rústicos e olhar suave e incisivo com a chaleira na mão. Ela tem um olhar distante e triste.


Cercada de valores morais rígidos, Esmeralda foi criada para seguir os caminhos de qualquer moça do interior: casar, ter filhos e virar uma dona de casa ou , no máximo, uma professora. Os pais de Esmeralda, Arminda e Artur, nunca pouparam esforços para dar à filha uma boa educação. Mas, por trás da menina de comportamento exemplar se escondia uma garota ousada, sonsa e dissimulada. Essa faceta de Esmeralda só era percebida por sua velha babá, Dalvina, mas que, por um estranho instinto de proteção, nunca revelara nada aos patrões.


Bom Jesus se torna pequena para abrigar todos os desejos de Esmeralda e ela acaba se mudando para Salvador com os pais. Na capital, não demora muito a abandonar a casa paterna e passa a viver uma vida envolta em mistérios e contradições. Aos poucos vamos conhecendo o lado oculto da vida de nossa protagonista e descobrindo que ela se tornara amante e testa de ferro de um dos políticos corruptos da Era Collor, o deputado Olavinho Pessoa.


Chega um momento em que Esmeralda deseja realmente mudar de vida. Ela acredita que um filho pode lhe ajudar a resgatar sua fé, suas raízes e seus valores familiares. O momento, no entanto, não é o mais adequado para sua transformação. A notícia de sua gravidez chega junto com a descoberta da imprensa do escândalo político envolvendo seu amante. O deputado reage com violência e, depois de espancá-la, a expulsa de seu apartamento e de sua vida. Sem um tostão e depois de ter perdido o bebê, só resta uma alternativa para Esmeralda: retornar a Bom Jesus, para onde sua mãe e a babá voltaram depois da morte de Artur. Arminda recebe com carinho a filha pródiga. Já Dalvina se preocupa com as marcas de espancamento no rosto de Esmeralda camufladas pelos óculos escuros.

Esmeralda promete às duas que irá se reconciliar com a fé que sempre renegara. Faz uma peregrinação até as grutas e depois de passar horas rezando no santuário, desmaia. Quando acorda, depois de passar alguns dias no hospital, Esmeralda não parece a mesma pessoa. Dessa vez ela surpreende e convence até mesmo Dalvina com sua mudança.


CENA FINAL

Dalvina sentada no sofá bordando olha Esmeralda ao piano tocando e acaba adormecendo.
Esmeralda olha no relógio, se levanta , passa por Dalvina que está dormindo no sofá diante da TV com o bordado em seu colo.
Esmeralda Sai, vai até a porta dos fundos, solta o cabelo no caminho, abre a porta, e deixa entrar um RAPAZ de 20 anos. Cruza a sala pisando leve e conduzindo o jovem para o quarto. Os dois entram e ela fecha a porta.(Tempo).

 

DOCUMENTÁRIO

O enfoque documental dessa narrativa será os romeiros e suas relações com a fé; os sonhos e valores de uma jovem nascida numa cidade interiorana e o ponto de vista de mulheres que levam uma vida profana numa cidade cercada de religiosidade.