Argumento
LAURA | ESMERALDA | TELMA | ANA | MARTILEIDE
ANA
|Maceió|
FICÇÃO
CENA 1. MACEIÓ. EXT. DIA
Vista aérea da cidade. O sol nascendo no mar e os pescadores
em seus barcos. O litoral e suas belas praias, as jangadas na areia. Praia de
Ponta Verde.
A câmara se aproxima da varanda de um belo apartamento na Orla de Ponta
Verde.
CENA 2.MACEIÓ. APARTAMENTO DE ANA. EXT. DIA
Na varanda, em CLOSEUP, uma fileira de tênis e sandálias
de couro, típicas do Nordeste. Os pés de ANA se encaixam numa
sandália de couro trançada que ela escolheu entre os outros calçados.
Sem mostrar seu rosto ela se agacha e abotoa a fivela da sandália. O
ÂNGULO ABRE E REVELA ANA, uma jovem de 24 anos, de short, parte de cima
de um biquini, acabando de calçar a sandália.
Ana veste uma camiseta de malha folgada por cima do biquíni, pega a mochila,
pendura uma câmera fotográfica no pescoço, pega a chave
do carro e SAI.
CENA 3.PRAIAS DE MACÉIO. EXT/INT. DIA
O carro de Ana, uma Toyota atravessa a orla marítima.
ANA (OFF)
Você sabe como chegar até lá, não sabe?
NO CARRO. Ana ao volante conversa com EROM, um jovem de 24 anos no banco de
carona.
EROM
Ana: eu conheço Pontal da Areia desde moleque. Não tem erro.
Pontal da Areia é uma pequena comunidade localizada em Maceió.
Uma situação social incomum no Brasil ocorre nesse lugarejo que
sobrevive da pesca e do artesanato: o papel das mulheres no núcleo familiar
é, economicamente falando, muito mais importante do que o dos homens.
Elas produzem o filé, rendas típicas da região, bordadas
à mão com o auxílio de um tabuleiro de madeira. Esse trabalho
se consolidou como uma atração turística rentável
durante todo o ano, enquanto os homens da casa dependem da pesca que obedece
à um ciclo natural que alterna a abundância com a falta do pescado.
É nesse ambiente que transcorre a ação de ANA revelando aspectos curiosos e peculiares que desconhecemos de nosso país.A narrativa acompanha o personagem Ana, uma jovem estudante de Turismo que junto com um colega, Erom, chega em Pontal da Areia para fazer um trabalho para a Faculdade. Os dois fotografam e entrevistam vários moradores e vão aos poucos traçando um perfil do lugar. Ana e Erom entram num salão onde várias mulheres, de velhas à adolescentes, munidas de teares, estão envolvidas na confecção de suas rendas. Os dois se detêm fascinados com a habilidade e precisão das artesãs. Eles se aproximam do grupo.
ANA
A gente quer falar com a dona Júlia, mulher de seu Zeca...
Do grupo de mulheres, uma ergue o rosto.
JÚLIA
Eu sou Júlia.
Júlia, uma bonita morena de 30 anos, cabelos cacheados, trajando um vestido
de filé que desenha seu corpo e suas curvas perfeitas imediatamente desperta
a atenção de Ana. A jovem estudante fica intrigada pois, apesar
de completamente entrosada ao trabalho e àquela comunidade, Júlia
parece não pertencer àquele ambiente. Júlia logo se oferece
para servir de cicerone aos universitários. À medida que ela vai
contando a história de Pontal da Areia, Ana vai descobrindo aos poucos
a trajetória de vida de Júlia que, para falar do lugar e das pessoas
que ali vivem lança mão, várias vezes, de uma linguagem
poética. Fascinada pela personalidade de Júlia, Ana quer saber
mais sobre essa mulher misteriosa e sedutora que abandonou uma vida de viagens
para viver naquele lugarejo
JÚLIA
Foi um caso de amor a primeira vista. Na noite que eu o Zeca nos conhecemos,
ele me trouxe aqui e eu fiquei pra sempre.
ANA
Como é que vocês se conheceram?
JÚLIA
Eu vim pra uma festa num clube aqui perto. Quando passei por aqui, tava acontecendo
o fandango. Eu parei pra ver. Vi o Zeca tocando viola e aí...acabei aqui
em seus braços e abraços. Sem nem ter tempo de pedir licença,
nem ele pediu a mim, invadimos, eu e ele, para sempre, a vida um do outro.
ANA
Você faz coisas simples parecerem tão grandiosas...
Ana descobre-se apaixonada por Júlia - uma paixão platônica
que precisa ser sublimada. A história de Júlia atiça a
fantasia de Ana, mexe com o lado desconhecido de sua sexualidade e desperta
na jovem um desejo incontrolável de partir em busca de seu lugar no mundo
e de um novo rumo pra sua vida.
DOCUMENTÁRIO
As interferências de documentário aqui se darão através dos depoimentos das moradoras de Pontal da Areia falando sobre o artesanato local e o fato de serem os pilares financeiros da comunidade, de sua relação com a sexualidade e de seus maridos pescadores.